Entrevista no jornal o POTI - Domingo, 10.02.2008

Frederico Alecrim, é graduado em administração de empresas pela Universidade Potiguar, UnP, e tem 12 anos de experiência no varejo. Há dez anos passou a atuar como facilitador e consultor. Já proferiu palestras para empresas como Johnson & Johnson, Unibanco, Convenção Nacional do Comércio Lojista, Kenzo (grupo LVMH), Toli, Tim, Correios, Sebrae, UnP, FCDL, entre outras. Nesta entrevista ele comenta que o hábito de jogar tudo para o alto e correr para o veraneio é uma atitude cada vez mais de desuso no Estado. ‘‘As pessoas estão se planejando cada vez mais. Quando estão participando do veraneio conseguem tempo para retornar para Natal e tocar seus negócios’’, disse o consultor. Frederico Alcrim acredita que a máxima: ‘‘O ano só começa depois do carnaval’’, vai caindo por terra a cada ano que passa e cada momento em que os empresários locais estão se deparando com novas exigências e lidando com o ritmo de conglomerados internacionais. Este ano ele não veraneou. Participou de cursos e viagens e planeja em parceria com o Sebrae/RN e a FCDL o projeto de formação da nova geração de líderes do comércio e serviços do estado, além de palestras pelo Brasil.


Por que no mundo dos negócios, aqui no Brasil, se convencionou que o ano deve começar depois do carnaval?

Neste período do ano, a atenção de muita gente é voltada para esse momento de folia. O mercado se volta para isso e os investimentos acontecem em torno dessa data: viagens para a folia ou para fugir dela. Nas lojas é o momento das liquidações, coisas que resistiram ao Natal. Muitas indústrias entram em férias coletivas em janeiro, dando uma sensação que as coisas ficam paradas. Muitos brasileiros escolhem tirar férias neste período por causa do clima de verão, etc. Por outro lado, isso movimenta muito a indústria do turismo que tem nesse momento, um dos melhores períodos do ano. Para eles o ano não começa depois do carnaval e para outras muitas pessoas, também não.


Essa ainda é uma premissa verdadeira?

Acho que é algo que se fala, mas na prática não é bem assim.


Como mudar esse comportamento?

Na prática, alguns empresários aproveitam esse período do ano para investir em reciclagem e treinamento da equipe, revisão de planejamento, direcionamento estratégico, etc. Ou seja, há muito o que fazer. E quanto mais competitivo for o mercado, maior a necessidade de começar mais cedo a fazer certo as coisas certas.


Aqui no RN você percebe esse mesmo comportamento? E mais, com o veraneio curto e o carnaval ocorrendo logo no início do ano, esse hábito de deixar tudo para depois da folia diminuiu?

Sim. O ‘‘veraneio’’ (bem típico de nossa cultura) já não é mais o mesmo. Aquela coisa de mudar para a praia por um mês (sem vir a Natal) está ficando menos freqüente na vida dos nossos empresários. O mercado não pára e como o RN está cada vez mais ligado a outros grandes mercados, inclusive fora do país, um novo rítmo vai se instalando na vida do nosso empresariado.


Novos mercados estão se abrindo para o RN e com isso novas empresas nacionais e internacionais estão se instalando no Estado. Com o tempo esse hábito será modificado?

Já vem se modificando. São as regras do jogo global.


Haverá espaço para manter esse costume local, mesmo em empresas internacionais que não estão acostumadas com esses aspectos locais?

As empresas internacionais estão buscando se adaptar na medida do possível a algumas questões culturais, mas nada que vá de encontro aos seus valores e objetivos. Normalmente eles estudam muito a cultura local antes de abrir o negócio. A idéia é utilizar os aspectos da cultura local a favor do negócio, gerando os resultados esperados.


Com consultor você acompanha que nos meses de janeiro e fevereiro o mundo empresarial põe uma marcha lenta nos seus projetos?

Acredito que não. Por exemplo, este mês de janeiro além das viagens tive muito trabalho por aqui com empresas que fizeram suas convenções agora no início do ano. Se pegarmos a TOLI que foi um dos exemplos: Eles não param: Agora em janeiro houve a convenção onde apresentaram suas estratégias para 2008 e a nova coleção para seus franqueados. Todo mundo em movimento. E esse movimento não pára nunca! Quando termina uma coleção, vem a outra. Antes havia quatro coleções; agora empresas como a TOLI que aderiram ao fast fashion têm roupa nova na loja toda semana; para fazer isso com competência, não podem parar, por isso eles não param. Como a Toli, existem outros bons exemplos por aqui e por toda parte do Brasil.


Quais as suas dicas para quem não tem como parar durante o veraneio e ainda assim são cobrados por resultados?

Resultado faz parte da vida de todo profissional. Por isso planejamento é fundamental. Planejar o tempo, ter objetivos claros para conseguir manter o foco no que vai trazer resultados. O importante para todo profissional é trabalhar numa empresa na qual ele possa ser ele mesmo e onde ele saiba o que se espera que ele faça, além de ter uma liderança genuína com gente que ajuda gente a ajudar o cliente. Desta forma o cliente prefere e recomenda a empresa, gerando resultados para todos.


E, ao contrário, como os empresários podem cumprir essa “folga” de veraneio e carnaval aqui no Estado e não ser taxado de relapso?

A questão é que se o empresário tem uma boa equipe, bem capacitada, que sabe o que tem que fazer e faz sem precisar ser cobrada, ele pode tirar férias, sem problemas. Essa é a questão: investir tempo em encontrar os talentos para a empresa e depois acolher, desenvolver, delegar e acompanhar para manter esses talentos. Só gente talentosa consegue fazer feliz, o que seja bom para a empresa e para o cliente, mesmo quando o empresário não está lá para olhar ou mandar! Se ele investe muito nisso, poderá escolher o melhor momento para pode se entregar ao justo e necessário momento de lazer.


Essa parada é prejudicial para o planejamento anual? Como você aconselha o empresário neste aspecto?

Isso pode estar contemplado no planejamento pessoal dele. O empresário precisa ter em seu planejamento pessoal, tempo para investir em seu desenvolvimento pessoal e profissional. E só alinhar com o planejamento da empresa. E claro, com uma equipe competente e motivada ele pode delegar algumas tarefas e acompanhar sua execução. Desta forma terá mais tempo para se concentrar em atividades que só ele pode fazer.


Essa falga de veraneio já faz parte da cultura do empresariado local ou é mais uma desculpa para se evitar tomar decisões no início do ano, fruto da falta de consolidação do equilíbrio da economia e numa época em que não se sabia ao certo que rumo o país iria tomar?

Faz parte da cultura local. A maioria tem sua casa de praia e se muda para lá com toda a família. Esse momento é utilizado para ficar perto da família e dos amigos. Recarregar as baterias. Hoje ainda se muda, só que todos os dias a retorno para Natal para trabalhar.


Como você acompanhou esse início do ano de 2008? Começamos num rítmo mais acelerado?

Começamos mais acelerado. O ano já começou para muitos, mesmo antes de 2008 chegar. Muitas empresas já vinham trabalhando seus planejamentos desde novembro de 2007, além disso, como já falei, agora em janeiro, muitas empresas fizeram suas convenções onde apresentaram sua estratégia para os funcionários, franqueados, etc. O ritmo não diminui, apenas o foco é maior em estratégia, capacitação, renovação, etc...


Essas empresas e profissionais que não tiveram recesso vão sair na frente ou foram engolidas pelo clima de que todos param e os negócios ficam mesmo para depois da folia?

O sentimento é cada vez maior de que as pessoas precisam parar, mas as empresas não. Quem tiver o melhor planejamento e a melhor equipe de execução sai na frente. Nem sempre é quantidade. Na maioria das vezes, é a qualidade que vai fazer a diferença. O momento de parar é que varia. Não precisa ser, necessariamente no verão. Alguns aproveitam uma viagem de negócios e ficam dois ou mais dias aproveitando o local.


Você parou para o período de veraneio e carnaval?

Aproveitei para investir em capacitação e atualização. Fiz duas viagens bem interessantes: No início de janeiro fui para a NRF (a maior feira de varejo do mundo) que acontece em New York todos os anos. Lá participei de palestras e visitas técnicas a empresas que estão conseguindo se diferenciar no mercado. Depois fui para a Europa (Inglaterra e França) visitar parceiros, ver o mercado, o que está acontecendo de bom no velho continente. Esse período do ano é muito bom para esse tipo de investimento.


Alexandre Mulatinho
Da equipe de O Poti
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